Uncategorized

Geologia: alimento para a nossa imaginação

Posted on
Geoforma granítica zoomórfica

DIA DA TERRA. Neste dia resolvi falar-vos um pouco sobre como a geologia alimenta a nossa imaginação através das suas geoformas. Para além do interesse científico, muitas delas, dada a sua particularidade e beleza, estimulam a nossa curiosidade, transformando-se em locais com elevado potencial turístico.

As múltiplas formas do granito

Frequentemente, estas formas geológicas estão associadas a paisagens graníticas, nomeadamente, blocos que fazem lembrar animais (zoomórficos) ou partes do corpo humano (antropomórficos). O padrão de fraturação ortogonal (fraturas perpendiculares entre si) dos granitos constitui uma das principais características na génese deste tipo de blocos. Sobretudo a ação da água, mas também do vento e da temperatura, juntamente com o tempo (muuuuuuito tempo), vai atuando como um autêntico escultor. O cinzel desse escultor vai abrindo caminho, acompanhando a resistência e características da rocha, criando as formas que tanto estimulam a nossa imaginação.

Geologia e geoformas do Granito
As múltiplas formas dos granitos. Da direita para esquerda e de cima para baixo: a Cabeça do Cão na Serra do Caramulo. Pedras Boroa na Serra da Freita. Cabeça de Guerreiro na Serra da Penoita. Tartaruga no Brasil. Pénis e pessoa sorridente na Serra do Caramulo.

Outras geoformas por Portugal e pelo Mundo

No entanto, não só os granitos têm a patente e o poder sobre a nossa imaginação. Lembro, por exemplo, a Livraria do Mondego, fazendo lembrar uma estante de livros de quartzito de um qualquer gigante. Ou o porta-aviões margo-calcário, encalhado nas arribas do Cabo Mondego. Aqui a história geológica e a tectónica de placas dominam a mão do escultor verticalizando as camadas de rocha.

Geologia e geoformas em rochas metamórficas e sedimentares
Geoformas em rochas metamórficas e sedimentares. Da direita para a esquerda: Livraria do Mondego e Porta-aviões do Cabo Mondego.

Outras formas existem, algumas delas mundialmente famosas, que acabam por batizar os locais onde se encontram. A cidade maravilhosa do Rio de Janeiro é um excelente exemplo. A forma como os granitos e gnaisses foram esculpidos deram origem a uma cidade única, com inúmeros morros a incorporarem no seu nome a imaginação dos povos. O Pão de Açucar é talvez um dos exemplos mais emblemáticos. O mais famoso dos “pães de açucar”, cuja forma faz lembrar as formas cónicas de barro que transportavam o açucar durante a época dos descobrimentos. 

Estes são apenas alguns exemplos, entre tantos outros existentes por esse mundo fora. São uma prova da dinâmica da Terra e dos seus processos geológicos. São reveladores da curiosidade e fascínio que a Terra, e algumas das suas geoformas, exerceram e continuam a exercer sobre a humanidade.

Feliz Dia da Terra.

Geologia e geoformas pelo mundo
A Terra e as suas geoformas. Da direita para esquerda e cima para baixo: Morro do Pão de Açucar no Rio de Janeiro. Geodiversidade no Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina. Deserto rochoso na Líbia. Serra da Canastra no Brasil. A ilha do Faial desde o Piquinho. A Pedra do Baú no Brasil.
Uncategorized

KEEP CALM é só Geoturismo

Posted on
Geoturismo

Pouco antes do covid-19 revirar as nossas vidas,  um casal de viajantes muito simpático mostrou alguma preocupação com a possibilidade de fazerem geoturismo. Como se fosse algo muito específico, difícil de entender, que iria abordar temas complexos de geologia. O roteiro que escolheram fazer, tal como grande parte dos roteiros da Outcrop, enquadrava-se no conceito de Geoturismo. Tentei sossegá-los dizendo-lhes que não iria ser um bicho de sete cabeças: KEEP CALM é só geoturismo.

Geoturismo Aldeias de Xisto
Aldeias de Xisto da Serra da Lousã

Então o que é isto de Geoturismo?

O conceito é relativamente recente, começando a ser mais difundido a partir de finais do século XX. Nessa altura o Geoturismo surgia como uma vertente do turismo que permitiria às pessoas conhecerem aspetos da geologia e geomorfologia de uma determinada região, indo além do seu valor paisagístico. Já no início do século XXI (Junho de 2000), surge a Rede Europeia de Geoparques, na altura constituída por apenas 4 geoparques. Há precisamente 20 anos, em Abril de 2001, a Rede Europeia de Geoparques assina um acordo de cooperação com a Unesco. Seria o início de um número crescente de geoparques mundiais classificados pela Unesco (Unesco Global Geoparks). Atualmente esta rede é composta por 161 geoparques, 5 dos quais em Portugal, sendo o Geopark Estrela um dos últimos a ser classificado. Com a rede de geoparques, o conceito de património geológico ganha uma dimensão mundial, inserindo o conceito de geoturismo num contexto mais abrangente.

Geoturismo Arouca Geopark
Arouca Geopark

Alguns exemplos do que pode incluir um percurso geoturístico:

– visita a locais com elevado valor paisagístico apoiada com informação sobre como os processos geológicos foram moldando essas paisagens ao longo de milhões de anos. Compreender a topografia das nossas paisagens, a formação de vales e montanhas. Conhecer segredos escondidos nos retalhos da nossa costa. Perceber a existência de vestígios marinhos localizados a centenas de metros de altitude e a centenas de quilómetros dos oceanos atuais. Conhecer a ciência por detrás de paisagens fantásticas; 

– conhecer o património geológico e os processos que lhe deram origem, respeitando e salientando a importância da sua preservação;

– descobrir como a geologia e a geomorfologia moldam os ecossistemas, colocando barreiras ou facilitando a dispersão da fauna e flora;

– visita a locais arqueológicos, salientando a importância dos recursos naturais na distribuição e evolução dos povos;

– itinerários em centros urbanos proporcionando o conhecimento da sua história geológica e a forma como ela condicionou o desenvolvimento urbano. Descobrir a importância da geologia na arquitetura e no aspeto das nossas cidades;

– percursos em polos industriais e áreas mineiras. Dar uma perspetiva sobre a forma como os recursos geológicos influenciaram a fixação dos povos e o desenvolvimento económico de determinada região. Destacar o impacto ambiental da exploração dos recursos naturais, reiterando a importância da reutilização, reciclagem e redução dos hábitos de consumo.

E o Geoturista?

O conceito de geoturista poderá confundir-se facilmente com o de ecoturista. Com maior ou menor grau de especialização, os geoturistas procuram conhecer melhor o mundo que os rodeia. Procuram experiências únicas e culturalmente autênticas que respeitem o património geológico, natural e histórico-cultural.

O geoturismo ao promover o lazer e bem estar, associado ao conhecimento e sustentabilidade, deve adaptar-se a uma população mais vasta. Sejam pequenos grupos de viajantes ou viajantes solitários, famílias, grupos de amigos, empresas e instituições, com menor ou maior grau de conhecimento, todos poderão ser geoturistas.

Sendo o conhecimento científico um dos principais pilares das experiências geoturísticas, a comunidade escolar poderá ser um dos principais grupos a beneficiar do geoturismo. Roteiros geoturísticos poderão adaptar-se facilmente a diferentes planos curriculares e a diferentes faixas etárias. São uma oportunidade para a aquisição de conhecimento em ambientes mais informais, ao ar livre e num contexto mais realista.

Geoturismo
Exemplos do que se pode conhecer em percursos geoturísticos

O geoturismo deve ir além da compreensão e descrição do património geológico de um determinado local. Deve, sobretudo focar-se nas relações entre o património geológico, o natural e histórico-cultural de uma determinada região, onde o desenvolvimento sustentável assume um papel essencial. É uma forma de voltar a conectar a sociedade com o nosso planeta e mostrar como este, ao longo dos seus 4600 milhões de anos, tem vindo a moldar não só as nossas paisagens, mas diversos aspetos da nossas vidas e da sociedade.

Até já…

Uncategorized

Novo site da Outcrop

Posted on
Site da OUTCROP Geoturismo

Finalmente!! O Site da OUTCROP já está disponível. 

Como alguns de vocês sabem, o projeto da Outcrop é algo muito pessoal, que começou a ser “desenhado” ainda durante o ano de 2018, entrando formalmente em atividade em 2019. Atua em duas vertentes: a do turismo e a da consultoria em geociências. Na área do turismo, sob o lema de Paisagens com Ciência, a Outcrop aposta na criação de roteiros temáticos, viagens de estudo, roteiros de geoturismo e turismo de natureza. Estes roteiros são vocacionados para pequenos grupos de viajantes, famílias, grupos de amigos. Dada a preocupação com a componente didática, estes roteiros também poderão ser facilmente adaptados á comunidade escolar e académica. Na vertente da consultoria em geologia e geociências, a Outcrop surge com diversas soluções técnico-científicas para apoiar empresas privadas e organismos públicos que atuem na área das geociências. 

Antes da Outcrop completar 1 ano, o mundo e as nossas vidas sofrem uma enorme mudança. A Outcrop, à semelhança do sector do turismo, sofre um duro golpe. Fui aproveitando a paragem, para desenvolver e aprofundar o conceito, delinear estratégias, preparar o futuro pós-pandemia. Começo também a dedicar-me a algo totalmente novo – construir o site da Outcrop. Será mais uma forma para dar a conhecer a Outcrop, a sua área de atuação, os serviços disponíveis, atualizações da sua atividade. Ainda restam limar algumas “arestas”. No entanto, fica já disponível para que o possam apreciar, criticar, sugerir alterações. Espero que gostem, partilhem, ajudem a divulgar o projeto OUTCROP. Estou certo de que 2021 voltará a devolver alguma normalidade às nossas vidas. Até já…

Aproveitem igualmente para conhecer e acompanhar a Outcrop nas redes sociais. 

Consultoria em Geologia e Geociências
Site da OUTCROP Geoturismo